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Carlos Augusto da Motta Leal
Venerável Mestre
Discurso de Posse da Diretoria 2009/2011

Saudações aos Irmãos e autoridades,


Meus Irmãos,


Permitam-me, ainda, uma saudação:  quero saudar a presença de dois Irmãos muito especiais. Primeiro, o meu saudoso avô, Darcy Alves da Motta, Grande Inspetor da Ordem, que já partiu para o Oriente eterno mas que aqui,  nesta noite, tenho certeza, se faz espiritualmente presente, em supremo regozijo ao ver depositar-se em minhas mãos tamanha responsabilidade. Foi pelas mãos de meu avô, que ingressei nos Augustos Mistérios, como Lowton, em 1977, na Loja Integração e Desenvolvimento, Oriente do Rio de Janeiro, e, como Aprendiz Maçom, na Augusta e Respeitável Loja União e Progresso, em 1992. // Segundo, quero elevar meu fraternal abraço ao Irmão Fabrizio Souza Saiter, hoje no Oriente de Jundiaí-SP, filho desta Loja e que foi, ainda na exitosa gestão do Irmão Deuber Erly Pretti, quem entoou o primeiro convite para minha filiação nesta Augusta Oficina e quem, em 2004, foi o responsável direto pela minha efetiva filiação na nossa querida Estrela de Camburi. // O irmão Fabrizio também está conosco nesta noite, embora ausente fisicamente.
Permitam-me ainda saudar todos os Veneráveis Mestres que me antecederam, sem exceção. Do Irmão Carlos Roberto de Faria, ao Meu Venerável Mestre, Leonardo Erlacher Lube de Almeida; através de um apertado TFA no Irmão Francisco Luiz Pereira, nosso Chiquinho.
Meus Irmãos!
Num colapso gravitacional, um glóbulo de gás, mais denso do que os vizinhos, resiste aos bombardeios dos raios ultravioletas das nuvens mais próximas. A radiação aquece a nuvem e parte do gás evapora. Nasce um embrião. Nesta nuvem celeste, a sombra do embrião impede que o gás atrás dele se evapore e, com o tempo, este embrião se separa totalmente da nuvem. Depois de milhões de anos a consumir todo o gás a sua volta, o embrião se transforma numa Estrela. Estrela com luz própria a adornar o céu, a decorar o universo e iluminar as noites do Planeta Terra. 
É assim que se formam as ESTRELAS. E as estrelas nunca estão formadas, completas ou adultas. Este processo é contínuo. A busca pelo brilho é eterna.
E foi assim, há quase trinta anos, que alguns Operários da Arte Real, abnegados, corajosos, comprometidos e visionários, lançaram o fundamento maçônico desta oficina, fazendo nascer a ESTRELA DE CAMBURI.
Hoje, no cargo de Venerável Mestre, eu a recebo, com a altíssima responsabilidade de, nos próximos dois anos, conduzi-la na mesma vereda pela qual vem percorrendo nestas décadas: um caminho de união, de semeadura, de fraternidade, de aprendizado, de defesa das instituições, de filantropia pura, de exaltação à pátria, de celebração do bem, de exaltação do espírito e de construção do Templo Ideal.
Mas este desafio não é meu. É nosso!
Não serei autor ou  signatário, mas mandatário, instrumento.
As instituições, a condução de nosso destino, a construção do futuro que vamos legar, precisam da Maçonaria, dependem da Maçonaria. É o que esperam nossos sucessores, a sociedade e, em especial, nossos Irmãos.
E Maçonaria se faz em Loja, mas não só em Loja. Na Loja devem nascer, crescer e amadurecer as idéias. No mundo profano, com união, força, sabedoria e articulação, os ideais maçônicos devem se concretizar. É preciso que afastemos o manto que nos escuda das atividades primordiais da Pátria, e empunhemos e nossos maços e cinzéis, para, Maçonicamente, retomarmos a condução de nosso País. É preciso banir as omissões. Filantropia, sim; caritatismo; sim, são essenciais; mas, não apenas! Vamos reinaugurar uma era operativa, participativa, ativa e efetiva!
E não só com clichês já desgastados. Mas com ações reais, secretas, articuladas, bem construídas e movidas, todas, sempre, pelo mister maior  que nos norteia: o bem comum, a igualdade com o próximo, o Templo Ideal, uma sociedade digna de nossa Maçonaria e uma Maçonaria digna de nossa sociedade!
Mas não tenho dúvida. Tudo isto começa aqui. Em loja. Na Loja. No templo forte aos Tiranos e sob a abóbada celeste, abaixo do Olho que Tudo Vê, sob os sublimes Auspícios do Supremo Arquiteto do Universo.
A nossa harmonia, está cunhada: vamos elevá-la. A coesão que nos suporta, está edificada: vamos fortalecê-la. O estudo e o conhecimento que nos perpetua, estão descritos: vamos aprofundá-los. Nosso poder de ação, persuasão e realização, no âmbito concreto, carece de efetividade: eis o nosso desafio. 
Tudo que move é sagrado, e remove as montanhas com todo o cuidado. A abelha fazendo mel, vale o tempo que não voou. A estrela caiu do céu ... todo o dia é de viver, para ser o que for e ser tudo. Sim, todo amor é sagrado, e o fruto do trabalho é mais que sagrado”; diz a letra da canção do compositor mineiro Beto Guedes. Diz muito. Reflitemos!
O que nos falta, meus Irmãos? Nada. Somos fortes, porque Unidos. Somos plenos, porque harmônicos. Harmonia sublime porque harmonia na diversidade, na tolerância, na paciência, na admissão da divergência, na exaltação suprema da coesão.    
Todavia, como a coruja de Haegel, da Deusa Minerva; nós, os Artífices da Arte Real, carregamos história, sabedoria e poder, mas só voamos a noite, quando não há mais luz para aproveitá-la. É hora de partirmos para o que Cal Marx invocou de seus filósofos: romper o abismo da utopia para edificar a realidade, a realidade do possível. Não fiquemos em metáforas, no passado. Passado que ensina, que encoraja, que honra, mas que, por si só, não dá solução.  
Meta, nós já temos; caminho, vamos achar; desafios, nós enfrentaremos; vida; nós inventaremos, porque sonhos, são para ser realizados e não envelhecem!
Para os desafios, confiamos no GADU; para crescer, temos raízes; para obter resultados, temos perseverança; para falar, sabemos escutar; para termos realização, primeiro, viemos para servir.
A ação, ensinou Miepes, pode fracassar, mas a inação é fracasso garantido!
Façamos a nossa Pátria, a nossa Sociedade, a nossa Maçonaria, a nossa Loja, gigantes pela própria natureza!
A NOSSA ESTRELA, QUE NÃO NASCEU DE UMA EXPLOSÃO GRAVITACIONAL, MAS DA MÃO LABORIOSA DE DESTEMIDOS IRMÃOS E QUE FOI ATÉ AQUI TRAZIDA EM BRILHO CRESCENTE, NÃO ENVELHECERÁ, SENÃO NA FORMAÇÃO DA SABEDORIA;  NÃO TERÁ SEU BRILHO ARREFECIDO, MAS RECRUDECIDO, PARA CONTINUAR A CUMPRIR SUA MISSÃO, COM A PÁTRIA, COM A ORDEM E COM A HUMANIDADE.
A mim meus Irmãos, não  pela saudação; não só pela bateria, mas, além da aclamação FORTE e VERDADEIRA; pela União, pela Força e pela Sabedoria.
Pedreiros livres e de bons costumes, mãos à obra, à nossa obra!!

Carlos Augusto da Motta Leal
Venerável Mestre, 20.06.2009.

 
   
   
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